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DERMATOFITOSES Joana Soeiro (Médica Veterinária estagiária)
As dermatofitoses ou “tinhas” são infecções cutâneas superficiais, do Homem e dos animais, causadas por fungos, designados por dermatófitas, especializados na utilização de tecidos queratinizados como fonte de alimento: estrato córneo da pele, pêlos, unhas e patas, etc. Estes fungos são aeróbios estritos, ou seja necessitam de oxigénio para sobreviver.
São doenças contagiosas, sendo os indivíduos débeis e imunodeprimidos os mais susceptíveis ao desenvolvimento da infecção, tais como: jovens, idosos, fêmeas gestantes ou lactantes, e há também espécies mais predispostas, especialmente os gatos. São doenças de distribuição mundial, sendo Microsporum canis o agente dermatófita mais isolado em cães e gatos (40-80 % dos casos). No entanto, ocorre também em cobaias, coelhos, hamsters, ratos, chinchilas, etc..

Os pêlos, as escamas e as crostas mantêm viáveis os esporos (formas dormentes de resistência em condições adversas) dos fungos dermatófitas durante muito tempo na Natureza, caso encontrem condições de frio seco. Registam-se mais casos clínicos no Outono e Inverno, sendo a cura espontânea frequente na Primavera, apesar de, por vezes se registarem focos em pleno Verão. As lesões progridem caso existam condições para o crescimento do micélio (estrutura do fungo): ambiente quente e húmido e um pH ligeiramente alcalino da pele. Por exemplo, a susceptibilidade do Homem aos dermatófitos é muito maior antes da puberdade, pois posteriormente o pH cai de 6.5 para 4. Esta alteração deve-se, sobretudo, à excreção de ácidos gordos pelas glândulas sebáceas. Os ácidos gordos são frequentemente fungistáticos (inibem o crescimento dos fungos). 
O período de incubação médio da doença é de 14 a 28 dias (período compreendido entre a infecção e a manifestação de sintomas). A doença transmite-se por contacto directo com animais infectados e por contacto indirecto com fomites (objectos contaminados como escovas, camas, etc.)
Os sinais clínicos são variáveis, mas caracterizam-se, geralmente, por pequenas áreas de alopécia circulares com eritema periférico, escamas e crostas, assim como pêlos fracos e quebradiços que caem com facilidade, expandindo-se centrifugamente (de dentro para fora). Depois, ao confluírem com outras lesões circulares, originam “peladas” circulares típicas. Nas peladas antigas, coexistem pêlos novos (no centro da lesão) com pêlos mortos na periferia da lesão (crescimento activo da infecção).  O prurido é geralmente escasso ou inexistente. Outras características possíveis são: formação de pápulas, pústulas ou furúnculos, nódulos purulentos inflamatórios (kérion e favos) ou mesmo hiperpigmentação. As lesões podem afectar todo o corpo, mas aparecem principalmente na cabeça, orelhas, membros, cauda e unhas das patas dianteiras (unicomicoses). 
Os gatos adultos são, frequentemente, portadores inaparentes, não exibindo lesões visíveis. Muitas vezes, só após a tosquia integral se conseguem visualizar “peladas” punctiformes (cabeça de alfinete). 
O diagnóstico começa pela história clínica, isto é, pela caracterização do paciente e pelo tipo de sintomas. Existem, no entanto, exames complementares que se podem efectuar para a confirmação, entre eles: - Lâmpada de Wood (luz UV a 253,7 nm)- quando iluminadas por este tipo de luz, alguns géneros de fungos dermatófitas emitem fluorescência de cor verde maçã (nomeadamente Microsporum canis, mas apenas cerca de 50% das estirpes).
No entanto, a presença de alguns fármacos sistémicos ou certas contaminações bacterianas podem também surtir o mesmo efeito, por isso não é uma técnica definitiva.  - Exame microscópico directo – através da recolha de amostras de pêlo da periferia das lesões, crostas ou escamas ou de uma raspagem cutânea e observação ao microscópio após prévio tratamento do material recolhido.
A presença de pêlos de estrutura irregular e/ou identificação de esporos são aspectos indicativos da presença de infecção. - Cultura de fungos – considera-se a prova de diagnóstico de referência, através do isolamento dos dermatófitos por crescimento dos mesmos em meios de cultura apropriados (Agar Sabouraud, DTM). Após a sementeira com as amostras recolhidas, os meios são incubados à temperatura ambiente (25-30ºC) durante 30 dias. O crescimento dos dermatófitos é dado pela formação de estruturas ou por mudança de cor, consoante o meio utilizado, mas não se verifica antes de 10-15 dias, razão pela qual não é prático esperar pelos resultados antes de instituir terapêutica, sob pena de entretanto se agravar o estado do paciente.
- Biópsia – método muito específico mas de baixa sensibilidade. O tratamento nos animais domésticos consiste em duas vertentes, consoante o tipo de dermatofitose e a gravidade das lesões: Tópico: imidazóis, clorhexidina, iodopovidona , decapantes (ác. acetilsalicílico a 1%), sulfureto de selénio, etc. Sistémico: imidazóis (itraconazol, por exemplo), griseofulvina (só em casos muito graves ou em caso de ineficácia de outros fármacos) Os objectivos do tratamento passam pela eliminação de infecção nos animais hospedeiros, controlo dos dermatófitos nos animais infectados mas assintomáticos e controlo do meio ambiente contaminado. Para isso é muito importante: - manutenção da boa higiene da pele e pêlo dos animais: escovagens regulares - descontaminação dos locais e dos materiais (aspiração regular e desinfecção) - isolamento dos animais infectados em relação a outros animais coabitantes - correcção de factores predisponentes: suplementação com vitaminas e minerais - instituição correcta da terapêutica, não só aos animais com sinais clínicos mas também aos coabitantes, pela frequência elevada de infecção assintomática.  A dermatose felina constitui uma importante zoonose (doença transmitida ao Homem pelos animais). Podem verificar-se lesões circulares eritematosas em diferentes partes do corpo, nomeadamente nas zonas de maior contacto com os animais (mãos, braços, pescoço, couro cabeludo, etc.), acompanhadas de bastante prurido. Contudo, o contágio entre seres humanos é pouco frequente.
BIBLIOGRAFIA: Apontamentos gentilmente cedidos pelo prof. Virgílio Almeida (FMV-UTL), www.google.pt, www.esteve.pt |